domingo, 27 de maio de 2012

SAUDAÇÕES, CHINA AZUL

            

                             @renatocheloni

     Parabéns ao meu amigo Elismar Santos, o qual conheço apenas pelo Twitter, pelo Site que será lançado nesta semana, e agradecê-lo pelo espaço cedido para que eu possa comentar os jogos do maior de Minas, o nosso querido Cruzeiro, que não vive, temporariamente, os seus melhores momentos.

     o Cruzeiro me preocupa bastante. E isso acontece desde o ano passado, quando lutou para não cair à Série B, conseguindo se safar apenas na última rodada, goleando o nosso maior rival, o que serviu apenas para mascarar a triste realidade do time.

     Acompanhei de perto quase todos os jogos da Raposa em Sete Lagoas, e o time não me convenceu. Mereceu, sem sombra de dúvidas, ficar de fora da final do Campeonato Mineiro.

     O que mais me preocupa agora é a iminência da Segunda Divisão. Perdemos muito tempo com o fraquíssimo Mancini. Com a Chegada do Celso Roth parece que as coisas melhoraram um pouco. O time vem jogando muito recuado, acredito que pelo fato de estarmos ainda muito expostos, e o técnico preferiu arrumar a defesa em primeiro lugar.

     Gostei da estreia do Tinga, com muita raça e vontade. O Fábio quase entregou o jogo, mas ainda tem crédito com a torcida, faz tempo que vem nos salvando.

     Vejamos, então, o que o Cruzeiro irá arrumar contra o Botafogo. Acredito em mais um jogo difícil; teremos uma semana inteira para arrumar a casa e buscar maior entrosamento e a esperada vitória.

                       Boa semana a todos!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

ENTRE GATOS E CÃES

     Já é noite e o frio intenso. Lá fora, os cachorros latem; talvez na briga por um osso. Bem no portão de minha casa, um gato mia acuado; talvez com medo dos cachorros que ladram.

    Esta última palavra lembram-me os ladrões. Não que os veja por aqui, mas o fato é que nunca sabemos, de fato, quem é o larápio. Assim, que fiquem o gato e os cães em estado de alerta, afinal, o dito pode ser qualquer um deles; ou eu.

     Isto mesmo. Que atire a primeira pedra aquele que confie plenamente em si próprio. Eu mesmo tenho amigos que chegaram ao absurdo de instalar câmera de segurança dentro do próprio quarto, só para terem conhecimento do que fazem enquanto dormem.

    Eu, da minha parte, não me confio plenamente, mas, assim como o gato- que ainda está no portão- sou adepto do miado. Fico no meu cantinho, amuado, e, quando menos esperam, eis os urros e patadas. Mas com este frio e este vinho, tudo é mais difícil!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

AOS AMIGOS EM BH

                                                    AOS AMIGOS EM BH


                                                                                               @ElismarSantos



Ao meu amigo Renato
Digam que em Coração a chuva cai intermitente
Que o sertanejo anda com o sorriso escancarado
E que os pássaros não cessam de cantar

Digam também, que a Ricci e o Léo
                                 Ainda se amam como dantes
Que o Mayron e o Alex trabalham juntos
                                  Em defesa da pátria amada
Enquanto o professor Roque poetisa.

Digam ao meu amigo em BH
Que os buracos nas estradas são constantes
E a única alternativa viável
                                         São as rezas dominicais.


ALCIONE (II)


ALCIONE (II)


@ElismarSantos



As notícias chegavam aos ouvidos de Marieta, a esposa; mas ela não lhes dava ouvidos. Conhecia bem o marido e sabia da sua morte. Não cria em covardia de onça; tinha sido o rio quem o levara. Talvez tivesse passado mal as águas levaram-no ao seu descanso. Melhor assim, fica a incerteza da morte e a esperança da vida.

Depois que o velho sumira, o caçula transformou-se. Deixou os afazeres domésticos; armou-se da foice e da enxada e desceu para a roça. Passou a beber, primeiro apenas uma dose antes do almoço e do jantar, até enveredar-se por várias noites de farra.

Numa manhã comum, arrumou suas roupas numa pequena mala; dividiu com a mãe o dinheiro da última colheita e partiu. A mãe não tinha mais forças para lutar. Não pediu que ficasse, apenas que jurasse que nunca mais a haveria de esquecer. Por muito tempo ela ficaria encostada junto à porta, mesmo depois que o filho desaparecesse na curva daquela velha estrada, e, no peito, uma dor profunda doía sempre mais, como tinha sido nas outras onze vezes em que um filho saía do desconforto de suas asas.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

ALCIONE


ALCIONE (I)

@ElismarSantos


Encostada junto à porta, o lenço encardido por entre as mãos, a mãe o via partir. As lágrimas escorriam pela face enrugada daquela mulher; aquele era o último, o caçula dentre doze irmãos, a sair daquele casebre. Os outros nunca mais haviam voltado, não mandavam notícias, nem cartas. Sumiram no mundo em busca de um futuro melhor, a procura de riquezas, fugindo da seca e da fome.

Quando Leônidas, o penúltimo, partira, Chico ainda estava ao seu lado. Alcione era ainda um menino, contando uns nove ou dez anos. Tinha sido o marido quem segurara toda a barra mais pesada, da vez em que ela adoecera, caindo por mais de quinze dias sobre a cama. Era ele quem cuidava da casa, do menino; quem fazia os chás e levava até a sua cama. Tudo passara a ser da sua conta.

Os meninos forma saindo um de cada vez, durante onze anos, até que este quebrou a rotina. Dizia não ter forças para sair pelo mundo, alegava apego aos bichos, à roça, aos pais. Sua vida se resumia ao trabalho na roça e no auxílio à casa. Quando pequeno, não ia à roça, ao contrário do que acontecera com os irmãos. Assim, enquanto o pai descia para o plantio, a limpa, ou a colheita, preferia ficar em casa. Fazia o almoço, ajudava na arrumação da casa; lavava as roupas menores e menos encardidas. Ajudava a sua mãe.

O pai não gostava daquele hábito, mas já estava velho, cansado e sem forças para reclamar. Dessa forma, sua desaprovação limitava-se aos seus pensamentos e isto já lhe era o bastante. Trabalhava do raiar do dia ao pôr do sol, mas fazia tempos que não sentia bem. Faltava-lhe o vigor e a força da juventude. O serviço já não rendia como antes e a única salvação da família era o seu parco aposento, pois o corpo já não lhe era mais de qualquer valia.

Num dia comum, o velho partira para o trabalho, deixando para trás a mulher e o menino. Ao cair da tarde nm.ão retornara e nunca mais se teve notícias suas. O que restou foram apenas suposições; e, dentre as tantas, algumas diziam que ele havia sido comido por alguma onça faminta; outras afirmavam que ele tinha fugido daquela vida sofrida, dali para bem longe, junto de outra mulher. Existiam ainda as más línguas que juravam que o pobre homem havia ido embora por causa do filho, Alcione, que não lhe saíra aos outros e, que, contrariando Chico, já andava de salamaleques com outros garotos, fazendo coisas impróprias para homens de bem.