Talvez você não tenha dado pela falta, mas fazia
tempo que eu não aparecia. Muito se explica pela correria diária, ato comum
entre os nossos contemporâneos; outro tanto se justifica pela minha falta de
disciplina na escrita, fato que acontece entre vários outros maiores escritores
e que, imodestamente, teimo em seguir e, por isso, me adianto em me desculpar.
Em minha defesa, não para suprir as minhas faltas, nem para delas me redimir,
mas tão somente como desencargo de consciência, afirmo, e assino, que tenho
lido bastante, mesmo entre tantos e desconexos afazeres, e, mais que isso,
tenho feito todos os deveres cabidos a um mínimo cronista: observando todos os
pormenores, estudando os transeuntes e, sobretudo, pensando todas as coisas,
ainda que mais vagas e descabidas.
Depois
de muito tempo, fiz uma pequena Crônica para o blog do meu amigo Werneck. E,
como dizem os literatos que o fazem de cabeça, sem nem se preocuparem com as técnicas
e as veleidades que o leitor comum quase nunca observa, realmente, escrever é
como andar de bicicleta: por mais que fiquemos por anos sem fazê-lo, nunca
esquecemos da arte.
Também
é verdade que, ao deixarmos de praticar, dificilmente pedalaremos – ou melhor,
escreveremos como antes, a não ser que o façamos por diversas vezes,
sequencialmente, corrigindo cada erro e consertando cada ranhura que o
sedentarismo literário nos leve a causar; muitas vezes, chegando ao ponto de
rasgar, não a folha, mas os olhos do guerreiro leitor que ainda teima em
prestigiar.
Antes
que eu finde estas linhas, agradeço ao prestimoso leitor que permanecera até
esta vírgula, e, espero que cotidianamente retorne para uma conversa, em quando
eu pedalarei a minha bicicleta literária, talvez com mais suavidade, com maior
agilidade e, quiçá, com todo o equilíbrio que uma boa leitura nos cobra. Por
ora, fiquemos com o automatismo que nos une e, indiscutivelmente, nos dá a
certeza de que tudo sempre dá certo no final. E tenho dito.
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