Apenas hoje pensei sobre o
assunto e, sinceramente, creio que talvez seja um pouco mais difícil ser
cronista no interior do que nas capitais e grandes cidades. Afinal, em capitais
como São Paulo, Rio de Janeiro e BH, são várias as histórias que se apresentam
aos olhos do autor, esperando pelo momento em que a luz lhes seja apresentada.
Todos os dias acordo com o
som do galo no quintal e os pássaros alvoroçados na goiabeira, bem ao lado da
casa. Um Sabiá todos os dias, invariavelmente, vem bicar o pára-brisa do carro,
enquanto a gata mia na cozinha, à espera do seu lanche matinal.
Os vizinhos seguem sempre a
mesma rotina: o dono do boteco levanta as portas exatamente às seis e meia da
matina; o vendedor de biscoito levanta às seis, e, às sete, sai com sua
bicicleta abarrotada de “Biscoito Caseiro e Bolo!”; uma senhorinha sai à rua,
com a cara ainda amassada, tomando o seu café, enquanto as varredeiras varrem a
rua.
Às vezes chove, mas quase
nunca faz frio, a não ser nos meados do ano, de abril à Junho. De resto, é calor
o ano todo; com pouca água, vento, pássaros cantando e os homens bebendo e
gritando no boteco. Vez ou outra uma briga, uma fofoca, mas nada que valha uma
Crônica, nada que gaste uma pena.
Talvez, por isso, grande
parte do que escrevem por estas bandas sejam floreios, devaneios, ou poesias.
As notícias são sempre as mesmas, e chegam pela boca de fulano, que ouviu de
beltrano, que ficou sabendo por cicrano. Nas grandes cidades é diferente: os
carros andam de um lado a outro durante todo o dia, como se fossem máquinas que
comem gente; os prédios crescem da noite para ao dia, como se fossem plantas
carnívoras e os sonhos são perseguidos à bala, como no Velho Oeste.
Ainda assim, não invejo os
que me escrevem de lá. Prefiro ficar quietinho no meu canto, deitado na rede,
tomando a minha cevada, a espera do exato momento em que a Crônica me chegará,
sorrateira e produzida, como a mais bela modelo brasileira, numa inspiração
casual. Sem pressa e nem palpitações, com os sonhos sussurrando nos meus
ouvidos, até que o sono me aconchegue lentamente nos seus abraços.
Sempre uma aula de conteúdo, de escrita, e de envolvimento do leitor, com a sua obra. Espero um dia escrever como você, mestre e amigo, Elismar Santos. Um abraço!
ResponderExcluirExcelente, bate uma saudade da roça.(marcofox)
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